Mostra Macaense de Teatro do Oprimido na Saúde Mental
Nos dias 1 e 2 de dezembro, Macaé vai receber a primeira Mostra Macaense de Teatro do Oprimido na Saúde Mental, com a participação de alguns dos grupos populares do Teatro do Oprimido macaense. O evento acontece no Teatro do Colégio Estadual Matias Neto, que fica na Rua Araruama s/n°. Além de cenas de Teatro-Fórum, o público vai poder apreciar a exposição A Estética do Oprimido, participar do lançamento do último livro do teatrólogo e ensaísta Augusto Boal e assistir a exibição de um documentário/curta-metragem. Os ingressos são gratuitos.
A aposentada Ivaltina Moreira comenta que participar de um grupo popular do Teatro do Oprimido macaense “é uma inspiração de vida, pois o Teatro do Oprimido é a forma que tenho de aliviar a tensão da doença, me trazendo mais motivação e alegria. Esse grupo me deu a oportunidade, por todos me receberem de braços abertos.”
1° Dia da Mostra – Programação:
No final da tarde do dia 1° de dezembro, após o público ter apreciado – com um novo olhar – a exposição, assistido ao documentário e participado do lançamento do livro A Estética do Oprimido, a cena de teatro-fórum apresentada será do grupo popular de Teatro do Oprimido GTO Capazes, Iguais e Idealistas, composto por quinze usuários de Saúde Mental do Caps Betinho, o tema é discriminação ao portador de sofrimento psíquico. Uma usuária de saúde mental é maltratada pelo irmão que a julga incapaz, não permite que ela cuide de seu único filho, humilhando-a na frente dele; esta mesma humilhação ela passa na comunidade, sendo destratada na vizinhança por conta de sua diferença. Ao final da apresentação o público é convidado a trocar de lugar com o protagonista e com isso tentar descobrir alternativas ao conflito encenado.
2° Dia da Mostra – Programação:
No final da tarde do dia 2 de dezembro, após o público ter apreciado a exposição, assistido ao documentário e participado do lançamento do livro A Estética do Oprimido, a primeira cena de teatro-fórum a ser apresenta é do grupo popular de Teatro do Oprimido GTO Tô Fazendo Arte, composto por cinco jovens e adolescentes da Escola Samuel Brust, de Saúde Mental na Atenção Básica. A cena conta sobre um jovem que mora com o pai e a avô, recebe uma bolsa por participar de um projeto na Escola, o pai que nada dá em casa e que é alcoólatra toma o dinheiro da bolsa do menino, que tinha a intenção de dar o dinheiro para avô comprar comida e coisas para casa. Ao final da apresentação o público é convidado a trocar de lugar com o protagonista e com isso tentar descobrir alternativas ao conflito encenado.
A segunda cena de teatro-fórum será apresentada pelo grupo popular de Teatro do Oprimido GTO Emergentes do Tempo, composto por seis pessoas idosas do Programa de Atenção Integral ao Idoso. A cena conta sobre uma mulher que é abandonada pelo marido, com os filhos ainda pequeno, ele fica 15 anos fora de casa, sem dar assistência aos filhos, volta muito velho e doente exigindo que a mãe de seus primeiros filhos cuide dele, apela para o perdão e para solidariedade e por fim usa de violência para ficar na casa da ex-esposa. Ao final da apresentação o público é convidado a trocar de lugar com o protagonista e com isso tentar descobrir alternativas ao conflito encenado.
O Teatro do Oprimido em Macaé
O Projeto Teatro do Oprimido na Saúde Mental está em curso em Macaé desde setembro de 2008 e estende-se até maio de 2010, já tendo capacitado 30 profissionais da saúde mental, entre eles: psicólogos, assistentes sociais, musicoterapeutas etc. Nesses meses a equipe do Centro de Teatro do Oprimido realizou na cidade várias cursos de capacitação, visitas de acompanhamento e algumas demonstrações públicas do trabalho realizado por estes profissionais que estão sendo formados Multiplicadores.
A psicopedagoga Cláudia Simone diz que “muitas foram às ações e realizações do projeto de Teatro do Oprimido na Saúde Mental no município de Macaé, em consonância com a reorientação do modelo de atenção em saúde mental no Brasil, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas com transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. A proposta básica é que os profissionais da saúde mental se apropriem da metodologia do Teatro do Oprimido e possam com essa nova linguagem abrir espaços de diálogos através da Estética do Oprimido, fazendo surgir teatralmente com os grupos populares de Teatro do Oprimido macaense os problemas urgentes que necessitam de alternativas.”
O Teatro do Oprimido não apresenta respostas, mas procura fazer as perguntas certas. E uma das principais perguntas na relação entre usuários, seus familiares, os profissionais da saúde mental é: o que fazer? É importante considerar que os usuários também têm problemas de transporte, alimentação, desemprego, racismo, sexismo, corrupção, etc. Através do teatro, da encenação de um problema ou conflito, pode-se chegar a um entendimento das condições dos protagonistas. Através do teatro começa a existir uma nova relação, mais humana, entre usuários e profissionais da saúde mental. O diferente é igual a gente. “Num contexto onde tentam esconder o diferente, o Teatro do Oprimido vem estimulando a sua visibilidade como cidadão e agente transformador de sua própria história. O diferente sobe no palco, conta sua história, vê e é visto por todos sem negar a sua condição de usuário, porém sem se sentir inferior mais semelhante com sua diferença”, destaca Cláudia Simone.
O teatro muda tudo, porque os diferentes voltam a se sentir como parte da sociedade. Desde que o teatro entrou na vida destas pessoas com transtornos psiquiátricos, os períodos de internação e de depressão diminuíram, a adesão ao tratamento aumentou e a vontade de viver ressurgiu. O sociólogo Geo Britto afirma que “é importante considerar a questão do Teatro do Oprimido como possibilidade de uma metodologia artística que proporciona o diálogo. Um exemplo é que, atualmente os CAPS (Centros de Atenção Psicossociais) vêm utilizando o Teatro do Oprimido nas suas assembléias, com usuários, seus familiares e profissionais. Onde muitas vezes não se conseguia se fazer entender pela fala, agora, trabalhadas através da imagem, do teatro, se estabelece o diálogo.”
REALIZAÇÃO
O evento produzido pela psicopedagoga Cláudia Simone e Alessandro Conceição, com coordenação do sociólogo Geo Britto, curingas do Centro de Teatro do Oprimido, é uma realização do Centro de Teatro do Oprimido com patrocínio do Ministério da Saúde por intermédio da Coordenação Nacional de Saúde Mental, e apoio da Prefeitura de Macaé por intermédio da Secretaria de Saúde de Macaé (SEMUSA), com a Coordenação Municipal de Saúde Coletiva e Coordenação Municipal de Saúde Mental.
SERVIÇO
Nome do evento: Mostra Macaense de Teatro do Oprimido na Saúde Mental. Dias 1 e 2 de dezembro, às 17 horas. O que acontece: grupos populares de Teatro do Oprimido macaense apresentam cenas de teatro-fórum enquanto o Centro de Teatro do Oprimido promove lançamento o último livro do teatrólogo e ensaísta Augusto Boal e exibe documentário/curta-metragem do autor, no espaço mesmo da Exposição A Estética do Oprimido. Local: Teatro da Escola Estadual Matias Neto. Rua Araruama s/n° (tel. 22 2762-0510). Capacidade de público: 100 pessoas sentadas e 100 em pé. Acesso facilitado para deficientes. Classificação indicativa LIVRE. Duração 180 minutos. Ingressos GRÁTIS. Mais informações no site www.cto.org.br
DIVULGAÇÃO
Ney Motta | Centro de Teatro do Oprimido
Assessoria de Comunicação
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