Demolição do Frei Caneca dá esperança a detentos
Em carta encaminhada ao editor do website do CTO, Monique Rodrigues*, curinga-assistente do Centro de Teatro do Oprimido, informa que no próximo sábado (13/3), por motivo da demolição do Complexo Penitenciário Frei Caneca, restando somente o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Heitor Carrilho, os pacientes-detentos serão levados ao Henrique Roxo (Manicômio Judiciário de Niterói) onde, ao longo do dia, serão realizadas atividades culturais, incluindo música, cinema e apresentação da peça do GTO Liberarte. “Acho que este dia representa a gradativa mudança que venho acompanhando na unidade. Este espaço, antes ocupado pelo SOE (polícia especial prisional), que nestes casos ficariam responsáveis por acompanhar os internos durante o dia, agora está sendo ocupado pela arte, conduzido pelos profissionais da unidade”, afirma Monique, que segue dizendo que “o grupo Liberarte está pautado na programação e como estamos passando por intensas e boas mudanças (mais da metade do elenco foi desinternado ou está em visita periódica ao lar), vamos apresentar uma performance artística com Sinestesia do Poema e músicas da peça “Anseios de Liberdade”. Creio que este novo evento dará um pontapé inicial para a nova fase do grupo, com novas músicas, histórias e… graças a todo trabalho realizado!!!… com novas caras, pois é isso que a gente quer!!!!”
O grupo popular de Teatro do Oprimido (GTO) Liberarte surgiu em outubro de 2007. Formado por pacientes do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Heitor Carrilho (antigo Presídio Frei Caneca), o Liberarte é o primeiro grupo de Teatro do Oprimido criado em um Manicômio Judiciário, tendo como base de seu trabalho a construção coletiva e a criação de espetáculos de Teatro-Fórum que visão a transformação da realidade opressora a que vivem. O primeiro espetáculo do grupo “Anseios de Liberdade” foi apresentado além dos muros do Hospital, promovendo diálogo em eventos de grande relevância para a questão dos direitos humanos, como: II Fórum Internacional de Saúde Mental, Saúde Coletiva e Direitos Humanos, realizado em 24 de maio na UERJ; Penitenciária Esmeraldino Bandeira; e Cinelândia, durante comemoração do dia Mundial da Saúde.
*Monique Rodrigues é curinga-assistente do Centro de Teatro do Oprimido, coordenadora do GTO Liberarte e trabalha nos projetos Teatro do Oprimido na Saúde Mental e Teatro do Oprimido de Ponto a Ponto.
