Aracaju: Mostra de teatro do oprimido integra Semana da Luta Antimanicomial
Acontece nos dias 19 e 20 de maio de 2010, no Auditório da Biblioteca Pública Epifânio Dória, a “Mostra Aracaju de Teatro do Oprimido na Saúde Mental” que vai apresentar peças de Teatro-Fórum, criadas pelos grupos de Teatro do Oprimido – cujos atores e atrizes são usuários da saúde mental – formados desde novembro de 2008 pelos profissionais da saúde de Sergipe, por intermédio da capacitação que vem recebendo até hoje pelos de curingas do Centro de Teatro do Oprimido na metodologia criada pelo teatrólogo e ensaísta Augusto Boal, que pouco antes de morrer (em maio de 2009) foi nomeado embaixador mundial do teatro pela UNESCO. O evento, que integra a Semana da Luta Antimanicomial realizada pela Secretaria de Saúde de Aracaju, conta ainda com: uma exposição da Estética do Oprimido, composta por produtos artísticos feitos pelos usuários da saúde mental e pelo Grupo Nova Imagem; sessão solene simbólica de Teatro Legislativo; lançamento do livro póstumo de Augusto Boal, A Estética do Oprimido; e o Encontro Estadual de Multiplicadores do Teatro do Oprimido, que acontece no CEPES. A classificação é livre e os ingressos são gratuitos.
Nas peças de Teatro-Fórum, após cada apresentação, os espectadores são convidados a trocar de lugar com o protagonista para sugerir alternativas ao problema encenado. “O espectador (ou espect-ator) da sessão de Teatro-Fórum não é um consumidor do bem cultural, mas sim um ativo interlocutor que é convidado a assumir o papel do oprimido ou de seus aliados para interagir na ação dramática de maneira a apresentar alternativas para transformar a realidade – ser ator de sua própria vida”, diz a psicóloga Yara Toscano, curinga do Centro de Teatro do Oprimido.
Já na sessão solene simbólica de Teatro Legislativo, os espectadores, “além de fazer as intervenções substituindo o personagem oprimido, pode também sugerir propostas de Lei ou de ações concretas que tragam alternativas ao problema. Com o apoio de um assessor legislativo e um especialista no tema, serão selecionadas duas propostas para serem debatidas e votadas. As aprovadas serão encaminhadas ao Poder Legislativo ou às autoridades competentes. Através do Teatro Legislativo foram criadas 13 Leis Municipais na cidade do Rio de Janeiro, duas Leis Estaduais nesse estado e tramitam no Congresso Nacional dois Projetos de Lei”, diz Olivar Bendelak, curinga do Centro de Teatro do Oprimido.
O teatro como ferramenta de transformação política e social
A Mostra Aracaju de Teatro do Oprimido na Saúde Mental integra o Projeto Teatro do Oprimido na Saúde Mental cuja parceria estabelecida há cinco anos entre o Centro de Teatro do Oprimido (www.cto.org.br) e o (Ministério da Saúde, por intermédio da Coordenação Nacional de Saúde, para capacitação e acompanhamento de profissionais da área de saúde mental do SUS nas técnicas do Teatro do Oprimido, tem levado a transformações políticas e a uma relação mais humana entre os pacientes, seus familiares, estes profissionais e a sociedade. Mais de 250 profissionais foram (e continuam sendo) capacitados e estão aplicando as técnicas do Teatro do Oprimido em hospitais e centros de atenção psicossociais. Realizado pelo Centro de Teatro do Oprimido, em Aracaju o Projeto conta com o patrocínio da Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju e do Centro de Educação Permanente em Saúde – CEPS.
O sociólogo Geo Britto, coordenador do Projeto Teatro do Oprimido na Saúde Mental, afirma que “desde que o teatro entrou na vida dessas pessoas os períodos de depressão diminuíram, a adesão ao tratamento aumentou e a vontade de viver ressurgiu.”
SERVIÇO
Nome do evento: “Mostra Aracaju de Teatro do Oprimido na Saúde Mental”
Local: Auditório da Biblioteca Pública Epifânio Dória
Endereço: Rua Dr. Leonardo Leite s/n°, 13 de Julho
Tels: 3179-1907 e 3179-1935
Capacidade de público: 180 pessoas
Dias 19 e 20 de maio
Horário: 14 às 17h
Classificação indicativa: LIVRE
ENTRADA FRANCA
PROGRAMAÇÃO
19 de maio
14h – Abertura da exposição Estética do Oprimido
14:30h – Exibição do vídeo Projeto Teatro do Oprimido na Saúde Mental; lançamento do livro póstumo de Augusto Boal, A Estética do Oprimido; fala das curingas Monique Rodrigues e Cláudia Simone sobre Projeto em Sergipe.
15h – Apresentação da peça de Teatro-Fórum “Fora Preconceito” com o grupo Dilemas da Vida. Sinopse: Amélia possui grande desejo de ser pintora, mas ao tentar se matricular na Escola de Artes da cidade é surpreendida pelo preconceito do professor que a impede de entrar no curso quando descobre que ela é “maluca”. Sobre o Grupo: O grupo Dilemas da Vida existe há um ano e é formado por usuários do Caps Liberdade.
15:30h – Teatro Legislativo
17h – Encerramento
20 de maio
14h – Abertura Musical
14:30h – Apresentação da Sinestesia do Poema com o Grupo Nova Imagem
15h – Fala do gestor da Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju, multiplicadores, usuários e familiares
15:30 – Apresentação cena de Teatro-Fórum “A Família de Todos os Santos” com o Grupo Cuidando do Cuidador. Sinopse: Abandonada pela família Gerusa é atendida por uma cunhada, até que a irmã reivindica a sua guarda por pensar que ela está recebendo benefício do INSS. Sobre o grupo: O grupo Cuidando do Cuidador existe há um ano e é formado por familiares, usuários e técnicos do Caps Senador Renildo Santana, em Itabaianinha/SE.
17h – Encerramento Musical
21 de maio
Encontro Estadual de Multiplicadores de Teatro do Oprimido (restrito aos praticantes), no Centro de Educação Permanente em Saúde – CEPES.
ATENDIMENTO À IMPRENSA
Ney Motta | Centro de Teatro do Oprimido
assessor de comunicação
(21) 2539-2873 e 8718-1965
