Os grupos comunitários foram a base do Mandato Político Teatral do Vereador Augusto Boal, sendo o alicerce do projeto Teatro Legislativo. De 1993 a 1996, foram criados mais 50 grupos comunitários de Teatro do Oprimido na cidade do Rio de Janeiro, destes 19 tornaram-se estáveis, tendo durabilidade média de dois anos. Com o final do Mandato, não foi possível garantir o acompanhamento sistemático dos curingas aos grupos, por falta de recursos financeiros para o desenvolvimento das atividades. Ao longo de 1997, esses grupos foram se extinguindo e a equipe de curingas do Centro de Teatro do Oprimido compreendeu que não bastava apenas organizar grupos comunitários, era também fundamental capacitar curingas comunitários que garantissem a autonomia e a continuidade destes coletivos.

A partir de 1998, com o apoio da Fundação FORD, os curingas do Centro de Teatro do Oprimido realizaram oficinas demonstrativas em dezenas de comunidades, a fim de identificarem locais onde havia interesse e condições para o estabelecimento de um grupo teatral. Novos grupos comunitários surgiram, trazendo duas novidades: capacitação de curingas comunitários e elaboração de projetos de sustentabilidade.

Através dos grupos comunitários, integrantes de comunidades populares ou de grupos temáticos colocam seus problemas cotidianos em discussão pública, produzindo espetáculos  de Teatro-Fórum e promovendo Sessões Solenes Simbólicas de Teatro Legislativo, para buscar alternativas para esses problemas. Com as experiências dos grupos populares e o estimulo á formação de novos curingas comunitários, o Centro de Teatro do Oprimido começa a intensificar seu processo de difusão da metodologia e a desenvolver junto aos grupos já existentes a pesquisa da Estética do Oprimido.

FORMAÇÃO DE GRUPOS DE TEATRO DO OPRIMIDO – GTO

 

Teatro do Oprimido na Diversidade Sexual (2007/06) – O Projeto foi uma parceira com o Ministério da Cultura através da Secretaria da Identidade e Diversidade Cultural – SID, para ampliar a discussão sobre a homossexualidade criando espaços de diálogo, através do Teatro Legislativo, na busca de alternativas concretas para a resolução de problemas cotidianos, de modo a inibir a discriminação e garantir direitos através dos Grupos Populares Artemanha e Direito de Ser.

Dialogar para Aproximar (2005/04) – Com financiamento do PROSARE – Programa de Apoio a Projetos em Sexualidade e Saúde Reprodutiva, este projeto desenvolveu atividades no sentido de aproximar dois temas: homossexualidade e religião, dando origem a dois Grupos Populares de Teatro do Oprimido: Direito de Ser e Esperança.

Projeto Maria Luta por Lei Justa (2005/01) – Com apoio da Fundação Heinrich Böll, o grupo Marias do Brasil, formado por trabalhadoras domésticas lançou campanha pelos direitos dos trabalhadores domésticos, para adesão ao abaixo-assinado pela garantia do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

SOS Periferia – São Gonçalo (2004) – Com a ONG Campo – Centro de Assessoria ao Movimento Popular, projeto desenvolvido em cinco comunidades de São Gonçalo, com formação do grupo popular “Periferia em Ação”.

Jovem Comunica e Entra em Cena (2004/03) – Projeto de Teatro Legislativo que envolveu quatro grupos comunitários do CTO-Rio: Panela de Opressão, Artevida, Corpo EnCena e MaréArte. Esta iniciativa gerou a LEI ESTADUAL 4361. O projeto contou com o apoio do BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Encenando Direitos Humanos (2003) – Os grupos Marias do Brasil e Artemanha percorreram espaços alternativos com seus espetáculos de Teatro-Fórum, realizando mais de setenta apresentações, a fim de promoverem a discussão pública sobre Direitos Humanos e estimularem a elaboração de propostas legislativas. Iniciativa contou com o apoio do Ministério da Justiça, através da Secretaria Especial de Direitos Humanos.

Saúde em Cena (2002/01) – Projeto desenvolvido com o apoio do Ministério da Saúde, com circuito de mais de 100 apresentações dos grupos populares Artemanha e Panela de Opressão em escolas, postos de saúde, hospitais e demais locais públicos na discussão sobre prevenção às DST/HIV/AIDS.

Formação Grupos CTO (1998/2000) – Com o apoio da Fundação Ford, o CTO-Rio formou oito grupo populares de teatro, divididos em grupos comunitários e temáticos. Os grupos fizeram circuito popular no estado do Rio e fora dele em eventos como Fórum Social Mundial e Mostra Nacional de Teatro do Oprimido de Santo André.

Neste processo estão em atividade os grupos: GTO Cor do Brasil, GTO Marias do Brasil, GTO Pirei na Cenna e Núcleo Madalenas Rio.

GTO PIREI NA CENNA - Criado em 1997 o grupo popular de Teatro do Oprimido Pirei na Cenna é um trabalho direcionado aos portadores de sofrimento psíquico, seus familiares e simpatizantes do Movimento da Luta Antimanicomial para dialogarem sobre as questões pertinentes a esse universo, utilizando-se das diversas linguagens que o Teatro do Oprimido nos apresenta. Nossa proposta vem sendo a de descobrir caminhos para estimular o exercício da Cidadania por parte dos usuários de Saúde Mental, pautado na máxima de igualdade a permissão do exercício das diferenças. Com 11 anos de existência o grupo já contabilizou cerca de 800 apresentações, atingido mais de 11 mil pessoas em mais de 10 estados brasileiros. Dentre as apresentações destacamos: II Fórum Internacional de Saúde Mental e Direitos Humanos(2008), II Festival Latino Americano de Teatro de Grupo(2007), Mostra Teatralidade do Humano(2006), no espaço cultural Oi Futuro,  Mostra Arte e Diversidade Sem Barreiras  no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (2005).

GTO MARIAS DO BRASIL – Formado em 1998 por 10 trabalhadoras domésticas o grupo  popular de Teatro do Oprimido Marias do Brasil acumula uma extensa atuaçao, possuindo 2 espetaculos de Teatro Forum que ja levaram o grupo para Sao Paulo na Mostra Nacional de Teatro do Oprimido em Santo André, Porto Alegre para 2 ediçoes do Forum Social Mundial e para o  Festival da Federação de Teatro Associativo do Rio – FETAERJ, na qual Maria Vilma, integrante do grupo, recebeu uma Monçao Honrosa. Com os projetos Encenando Direitos Humanos e Maria Luta por Lei Justa, o teatro amplia seu alcance: a platéia discute e propõe leis. Como a Medida Provisória da Lei Federal 10.208 de 23/03/2001, que determina ser facultativo o Fundo de Garantia dos trabalhadores domésticos. Marias do Brasil e os Sindicatos dos Trabalhadores Domésticos do Rio de Janeiro e de Nova Iguaçu reivindicam que esta medida se torne obrigatória. Para isso, iniciaram um movimento para recolher o máximo de assinaturas e enviar ao Congresso Nacional. Participe entrando em cena e apoiando nosso abaixo-assinado.