O Teatro do Oprimido é o único método teatral criado na América Latina que percorreu os cinco continentes. Hoje, países como Paquistão, Israel, Índia, Alemanha, Moçambique, Inglaterra, Guiné Bissau, Estados Unidos, Argentina, Palestina, Itália, entre outros praticam a metodologia criada pelo brasileiro Augusto Boal que tem no Rio de Janeiro, sua sede mundial, o Centro de Teatro do Oprimido.

A instituição, fundada e dirigida por Augusto Boal, durante 23 anos, realiza diversos projetos sociais com o objetivo de multiplicar o método em território nacional e criar uma rede solidária de praticantes e multiplicadores ligados a movimentos sociais e culturais, sistema educacional e penitenciário, unidades de saúde mental, organizações de diversidade sexual, entre outros.

O desenvolvimento de programas de capacitação desenvolvido pela instituição é inédito e revolucionário, o que atrai o interesse de dezenas de estudantes e praticantes do método em todo o mundo.

Para atender a demanda, o Centro de Teatro do Oprimido (CTO) possui o Programa de Intercâmbio Internacional que atende a diferentes culturas e línguas, na capacitação de estudantes e praticantes internacionais do método.

O Programa é permanente e prevê a experimentação prática, teórica e sistematizada da metodologia do Teatro do Oprimido, direcionada a estrangeiros. Os estudantes acompanham os projetos realizados no Brasil, os ensaios dos grupos populares, seminários teóricos, laboratórios práticos e oficinas de formação.

Desde 1996 o CTO recebeu estudantes de diversos países: (América) Argentina, Uruguai, Chile, Venezuela, Colômbia, Equador, México, Estados Unidos, Canadá; (África) Moçambique, Marrocos, Egito, Camarões, África do Sul; (Europa) Alemanha, França, Espanha, Noruega, Inglaterra, Itália, Dinamarca, Grécia, Portugal, Bélgica, Suíça; (Ásia) Índia, Japão e Nepal.

Nos últimos cinco anos tivemos a participação de aproximadamente cinquenta e dois estudantes de todo o mundo, permanecendo de dois a três meses acompanhando as atividades do CTO. Diversos estudantes fizeram parte do Programa de Intercâmbio da Unesco, um convênio feito com o CTO, única instituição da América Latina, para receber estrangeiros de países da África e Ásia. Muitos desses estudantes, ao voltarem para seus países, criaram projetos e estruturaram redes de praticantes de Teatro do Oprimido que estão em desenvolvimento.

No período de julho a outubro de 2010 o programa contou com estudantes da Noruegua, Estados Unidos, Equador, Espanha, Chile e Portugal.

Para participar do Programa de Intercâmbio Internacional do CTO em 2011 o estudante necessita enviar seu currículo, duas cartas de referência e os formulários preenchidos. Mais informações podem ser adquiridas com o curinga Flávio Sanctum pelo email flaviosanctum@ctorio.org.br.

Venha participar do time que tem a Árvore do Teatro do Oprimido como base para uma multiplicação ética e solidária na transformação da sociedade!

DEPOIMENTOS

No ano 1999, eu passei vários meses no CTO. Tive a possibilidade de pesquisar sobre o Teatro do Oprimido, especialmente o Teatro Legislativo, de acompanhar grupos (as Marias do Brasil, Panela de Opressão), de investigar, de participar, de conversar, depois publiquei um livro na Alemanha – e comecei lá, junto com outras pessoas, a desenvolver uma prática de Teatro do Oprimido própria. Essa primeira visita minha ao CTO (seguiram outras mais) foi uma experiência muito intensa e muito importante. Ver o Teatro do Oprimido na prática e no contexto brasileiro, conhecer o Boal, aos curingas (que agora são amigos muito caros), aos grupos comunitários e finalmente voltar à Europa com muita energia e motivação – essa viagem foi o ponto de partida para meu caminho de trabalho com o Teatro do Oprimido. Um desses caminhos que se faz caminhando… (Till Bauman – Alemanha)

Minha estadia no CTO significou vivenciar simbólica e sensivelmente diversas ações com o TO. Bem de perto pude indagar a prática ao participar de oficinas de estética e de formação na metodologia, somado a oportunidade de aplicar oficinas como facilitadora com a supervisão da equipe do CTO. Pude também participar dos laboratórios e seminários internos que os curingas, junto com Augusto Boal realizavam durante minha estadia, o que me permitiu ver como utilizavam suas próprias ferramentas e assim, serem coerentes no que transmitiam e realizavam, desde a prática com o Teatro-Fórum para discutir um problema interno, ou a parte teórica e a sistematização da Estética do Oprimido. As vivências, as reflexões, os materiais compartilhados, desde a simpatia e o carisma de Augusto Boal e sua equipe; foram só algumas das muitas experiências que me modificaram e selaram o meu compromisso para levar à ação a idéia de mudar o mundo através do Teatro do Oprimido. O Grupo Teatral TrafO em Buenos Aires (Transformação através do TO) surge em 2007 e desde então desenvolve oficinas de TO em numerosas prisões federais, em organizações sociais de base e em centros comunitários, multiplicando a semente do Teatro do Oprimido nesta região do mundo. (Carolina Echeverria – Grupo Teatral TrafO – Argentina / eltrafo@gmail.com - www.trafo-trafo.blogspot.com)

A participação no Intercâmbio Internacional do CTO permitiu-me essencialmente fazer duas conquistas: reforçar princípios e contatar com a organização do CTO. Desta passagem pelo Rio de Janeiro fica a vivência da possibilidade de fazer um zoom do micro para o macro, ou seja, a experiência que levava de dinamização de grupos de TO na comunidade foi fortalecida e ampliada por uma visão mais ampla e complexa da metodologia e da forma como pode ser potenciada. Foi também muito importante o cruzamento com diversas experiências de TO não só no Brasil, mas também em outros países do Mundo com culturas muito diferentes. Fica-me marcado ainda o encontro com Boal na Oficina dirigida a Multiplicadores da América Latina, o encontro com a sua genialidade, tranqüilidade, conhecimento e humildade.  A sua grandeza e significado não se confinam a imagens, palavras ou sons. A sua presença serena, genuína, forte, coerente marcava o espaço. O que mais me impressionou em Boal foi a forma entusiasta com que contava cada história, com a profunda convicção de que a mudança humana é possível. A sua capacidade para explicar de forma clara e concreta reflexões profundas e complexas fazia de Boal alguém a quem se pode chamar justamente: MESTRE. Um grande bem-haja ao CTO pela inspiração, coerência, clareza e pelo apontar de caminhos. A partir das palavras musicadas de Jorge Palma, há muita estrada para andar, por isso vamos continuar… (Hugo Cruz – Coordenador do Núcleo de Teatro do Oprimido do Porto / hugoalvescruz@gmail.comwww.apele.org)

Parafraseio este verso do Hino Nacional da República de Moçambique para caracterizar o que o Teatro do Oprimido tem estado a conseguir, milhões de corações, juntam-se a cada sessão de Teatro Fórum, nas mais recônditas localidades moçambicanas para buscar em conjunto na harmonia e respeito que somente o teatro pode dar, respostas e alternativas às questões que o cotidiano nos coloca: como fazer para manter-se vivo e incorruptível numa sociedade em profunda gangrena? Esta força, que tem como comando central, o sentimento de responsabilidade em cada um de nós, é coordenada pela RETEC Rede Moçambicana de Teatro Comunitário que congrega pouco mais de 120 grupos de teatro de 93 distritos das 11 províncias moçambicanas. Esta rede, apóia tecnicamente e busca recursos para o funcionamento dos grupos. A RETEC funciona com assistência do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Estamos conseguindo uma grande ação popular, através do Teatro do Oprimido, são discutidas pelo povo, questões ligadas ao governo, prestação de contas, saúde, educação, água e saneamento, direitos humanos, bem como princípios culturais, enraizados e que contribuem para o crescimento da pandemia do HIV/SIDA. (Alvim Cossa – Presidente da RETEC – Moçambique)