Cláudio Rocha
Cai na faculdade de teatro por acaso,
Durante bom tempo, fui por todos rechaçado
Ano inteiro, dia após dia, à sombra fui condenado
Até quando descobri o Teatro do Oprimido, negócio arretado.
Comecei a trabalhar indo aonde ninguém ia
Fui fazer teatro com gente da periferia
Estive na prisão, com idosos e analfabetos
Fazia o Teatro do Oprimido O sem duvidar, pois sabia que estava certo.
À cada exercício aplicado, a certeza se construía
Deixaria de lado a mecânica, minha primeira formação
Estava enfim encontrando o que não vi na comunicação
Dei de cara com o diálogo, tudo o que eu sempre queria.
Em Recife, capital de Pernambuco, minha historia comecei,
Fazendo Pressão no Juízo alheio o Teatro do Oprimido projetei.
No início andando sozinho, em outras épocas, acompanhado
Formei muita gente, por isso hoje me vejo transformado.
Há três anos lutando com o Centro de Teatro de Oprimido
Fazendo do nordeste um lugar melhor
Não sei se é pouco tudo o que até agora já se fez
Mas tenho certeza que faria tudo outra vez.
Tenho 35 anos e pretendo viver outros tantos mais
Para ver as sementes da nossa árvore brotando nos canaviais
Explodindo nas caldeiras das usinas,
Parando a violência contra a menina
Vendo o irmão que é homosexual,
Andando pela rua com o seu direito que é igual
Como a mim mesmo que negro sou
Vendo com alegria que a opressão se acabou
Tudo fruto de uma luta entre parceiros construída
Faço Teatro do Oprimido não por que é bonito, mas porque é a minha opção de vida
Não me canso de lutar, mas se você quiser vir comigo,
Estenda sua mão, abra o seu peito, e receba o meu sorriso.
Cláudio Rocha é Arte-educador, curinga do Centro de Teatro do Oprimido e admirador da poesia popular nordestina
contato: claudiorocha@ctorio.org.br