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	<title>centro de teatro do oprimido &#187; saúde mental</title>
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	<description>&#34;Ser cidadão não é viver em sociedade, é transformá-la.&#34; Augusto Boal</description>
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		<title>Santos recebe II Mostra de Teatro do Oprimido na Saúde Mental</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Dec 2009 12:55:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ney Motta</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Nos dias 15 e 16 de dezembro, o Sesc Santos recebe a II Mostra Litoral de Teatro do Oprimido na Saúde Mental, com a participação de alguns dos grupos populares de Teatro do Oprimido do Litoral Paulista. Durante a programação da mostra, o público de adultos e crianças vai assistir cenas de Teatro-Fórum, cujos temas são inspirados em histórias reais de opressão vividas pelos atores. Também haverá: uma exposição alegre e colorida da Estética do Oprimido, com bandeiras e o Ser Humano no Lixo – uma representação do ser humano feita de material reciclável (lixo limpo); exposição de fotos; mesa de debate; atrações musicais; e coquetel de lançamento do último livro escrito pelo teatrólogo e ensaísta Augusto Boal, A Estética do Oprimido. Entrada franca.<span id="more-971"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A técnica denominada Teatro-Fórum é, provavelmente, um dos expedientes mais avançados do arsenal do Teatro do Oprimido. Trata-se de uma dinâmica onde histórias reais de opressão são encenadas, terminando a encenação no ponto de crise ou no momento em que a opressão se configura através da ação e se produz o impasse: o que fazer nessa situação? A partir daí, a platéia – ou os “espect-atores”, no dizer de Augusto Boal – intervém na cena, trocando de lugar com o protagonista e propondo alternativas de encaminhamento daquela situação de opressão. Trata-se de um processo político-artístico que procura resultar em ações concretas para fortalecer os indivíduos ante as opressões vividas.</p>
<p style="text-align: justify;">O evento que envolve cerca de 70 atores/usuários da saúde mental, faz parte do Projeto Teatro do Oprimido na Saúde Mental, que está no Litoral Paulista desde 2006, uma realização do Centro de Teatro do Oprimido com patrocínio do Ministério da Saúde por intermédio da Coordenação Nacional de Saúde Mental e apoio da Prefeitura de Santos e do Sesc Santos.</p>
<p style="text-align: justify;">A II Mostra Litoral de Teatro do Oprimido na Saúde Mental tem produção e supervisão da teatróloga Kelly di Bertolli com coordenação nacional do sociólogo Geo Britto, ambos curingas¹ do Centro de Teatro do Oprimido, instituição com sede no Rio de Janeiro cuja coordenação geral e artística é da bióloga Helen Sarapeck. Mais informações no website <a href="http://www.cto.org.br/">www.cto.org.br</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SERVIÇO:</strong></p>
<p>II Mostra Litoral de Teatro do Oprimido na Saúde Mental<br />
Dias 15 e 16 de dezembro. Na terça-feira de 14 às 20h e na quarta-feira de 14 às 19h<br />
O que acontece: Serão apresentadas cenas de Teatro-Fórum pelos grupos populares de Teatro do Oprimido do Litoral Paulista; exposição da Estética do Oprimido; vídeo-documentário; mesa de debates; atrações musicais; e coquetel de lançamento do livro A Estética do Oprimido.<br />
Local: Sesc Santos. Rua Conselheiro Ribas 136, Aparecida. Telefone: (13) 3278-9800. Capacidade de público: 200 pessoas.<br />
Classificação indicativa: LIVRE<br />
Ingressos: GRÁTIS</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>PROGRAMAÇÃO DO EVENTO:<br />
</strong>
</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> 15 de dezembro, terça-feira</strong></p>
<p style="text-align: justify;">14h – Abertura da exposição A Estética do Oprimido.</p>
<p style="text-align: justify;">14:15h – Espetáculo &#8220;Desavenças&#8221; com usuários do SERP (Seção de Reabilitação Psicossocial) Santos, que trabalham com programas de geração de renda. A peça conta a história real de mãe e filha, usuárias da saúde mental, num cotidiano familiar de constrangimento e humilhação.</p>
<p style="text-align: justify;">Intervalo Musical</p>
<p style="text-align: justify;">16h – Espetáculo &#8220;O incômodo&#8221; com usuários psicóticos do Naps 5. A peça conta a história real de um almoço onde fumantes e não fumantes discutem se fumar na mesa do almoço é desrespeitar o outro.</p>
<p style="text-align: justify;">Intervalo Musical</p>
<p style="text-align: justify;">17h – Mesa “Teatro do Oprimido na Saúde Mental do Litoral Paulista”, com Geo Britto, sociólogo e curinga do Centro de Teatro do Oprimido; Sandra Murat, coordenadora municipal de saúde mental; e representante do Ministério Saúde.</p>
<p style="text-align: justify;">18h – Show musical</p>
<p style="text-align: justify;">19h – Coquetel de lançamento do último livro escrito pelo teatrólogo e ensaísta Augusto Boal, A Estética do Oprimido</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>16 de dezembro, quarta-feira</strong></p>
<p style="text-align: justify;">14h – Espetáculo “Tic Tac” com senhoras com idades entre 65 e 81 anos do Programa Saúde da Mulher, de Guarujá. A peça conta a história real da submissão de uma mulher em uma relação ao casamento. Como pano de fundo vemos a personagem protagonista, uma senhora de 81 anos, sufocada pelo tic tac do relógio do marido que lhe dita ordens.</p>
<p style="text-align: justify;">Intervalo Musical</p>
<p style="text-align: justify;">16h – Espetáculo “A família do Onça” com crianças e adolescentes com necessidades fisicas ou mentais atendidas no Núcleo Henry, de Praia Grande. A peça conta a história real de uma família na qual o pai alcoolatra constantemente agride a filha, apesar da resistência da mãe.  Enquanto isso vizinhos acompanham tudo de uma janela.</p>
<p style="text-align: justify;">Intervalo Musical</p>
<p style="text-align: justify;">17h – Espetáculo “Controle Remoto” com usuários psicóticos do Naps 3, de Santos. A peça conta a história real de Carlos Eduardo, que depois de levar uma vida normal tem um surto psicótico que mudo sua toda a sua vida. Já não trabalha e está na dependência total da família.</p>
<p style="text-align: justify;">18h – Show Musical</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>PARA SABER MAIS</strong>:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Teatro do Oprimido no Litoral Paulista</strong></p>
<p style="text-align: justify;">No Litoral Paulista, o Projeto Teatro do Oprimido na Saúde Mental teve início em 2006, nos municípios de Santos, Guarujá, São Vicente, Praia Grande, Cubatão e Itanhaem, quando foram capacitados 30 profissionais da saúde mental como Multiplicadores de Teatro do Oprimido, atingindo cerca de 2.500 pessoas. Em 2008, fazendo uma segunda formação de Teatro do Oprimido, com novos e antigos multiplicadores, o projeto se concentrou em Santos, embora haja multiplicadores que atuam no Guarujá, Praia Grande, São Vicente e Cubatão, tendo atingido até o momento cerca de 4.000 pessoas. Nesta etapa foram realizados muitos diálogos teatrais e o projeto está sendo realizado também como parte do projeto de saúde mental do município de Santos. A primeira Mostra Litoral de Teatro do Oprimido na Saúde Mental aconteceu em 2006. Na ocasião foram apresentadas três cenas de Teatro-Fórum e teve a participação do teatrólogo e ensaísta Augusto Boal, criador do Teatro do Oprimido, falecido em maio de 2009.</p>
<p style="text-align: justify;">A teatróloga Kelly di Bertolli, curinga¹ do Centro de Teatro do Oprimido, diz que “o Teatro do Oprimido na Saúde Mental da Baixada Santista tem participado do dia-a-dia dos usuários de saúde mental como uma ferramenta da humanização do tratamento psiquiátrico. O projeto multiplica a metodologia do Teatro do Oprimido entre os profissionais da rede de saúde mental, estes realizam encontros semanais com seus grupos. A multiplicação gerou vários grupos populares de Teatro do Oprimido que dialogam teatralmente entre si para discutirem problemas urgentes que os oprimidos enfrentam. A comunicação com a sociedade é no intuito de desmistificar o conceito de loucura, bem como a humanização de um sistema público de saúde, são metas do nosso trabalho. Buscamos através do Teatro de Oprimido chegar a ações sociais concretas em nossos grupos. O litoral paulista vem desde 2006 formando grupos que se solidificaram. Temos multiplicadores que já trabalham a quatro anos neste projeto. Há um trabalho de musicalização que acompanha o trabalho das cenas de Teatro-Fórum, que enriquece nossos grupos com músicas criadas em oficinas de Teatro do Oprimido. O Projeto Teatro do Oprimido na Saúde Mental é visto como parte da política pública na Baixada Santista, para tanto contamos com o importante apoio da Prefeitura de Santos.”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Teatro do Oprimido na Saúde Mental</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O Teatro do Oprimido não apresenta respostas, mas procura fazer as perguntas certas. E uma das principais perguntas na relação entre usuários (pacientes), seus familiares, os profissionais da saúde mental é: <em>o que fazer</em>? É importante considerar que os usuários também têm problemas de transporte, alimentação, desemprego, racismo, sexismo, corrupção, etc. Através do teatro, da encenação de um problema ou conflito, pode-se chegar a um entendimento das condições dos protagonistas. Através do teatro começa a existir uma nova relação, mais humana, entre usuários e profissionais da saúde mental. O diferente é igual a gente.</p>
<p style="text-align: justify;">A psicopedagoga Cláudia Simone, curinga do Centro de Teatro do Oprimido diz que “num contexto onde tentam esconder o diferente, o Teatro do Oprimido vem estimulando a sua visibilidade como cidadão e agente transformador de sua própria história. O diferente sobe no palco, conta sua história, vê e é visto por todos sem negar a sua condição de usuário, porém sem se sentir inferior mais semelhante com sua diferença.”</p>
<p style="text-align: justify;">O teatro muda tudo, porque os diferentes voltam a se sentir como parte da sociedade. Desde que o teatro entrou na vida destas pessoas com transtornos psiquiátricos, os períodos de internação e de depressão diminuíram, a adesão ao tratamento aumentou e a vontade de viver ressurgiu.</p>
<p style="text-align: justify;">O sociólogo Geo Britto afirma que “é importante considerar a questão do Teatro do Oprimido como possibilidade de uma metodologia artística que proporciona o diálogo. Um exemplo é que, atualmente os CAPS (Centros de Atenção Psicossociais) vêm utilizando o Teatro do Oprimido nas suas assembléias, com usuários, seus familiares e profissionais. Onde muitas vezes não se conseguia se fazer entender pela fala, agora, trabalhadas através da imagem, do teatro, se estabelece o diálogo.”</p>
<p style="text-align: justify;">¹ <em>Curinga<strong> </strong>é o especialista, pesquisador e facilitador do Método Teatro do Oprimido; um artista com função pedagógica que atua como mestre de cerimônia nas sessões de Teatro-Fórum, coordenando o diálogo entre palco e platéia, estimulando a participação e orientando a análise das intervenções feitas pelos espectadores. </em></p>
<p style="text-align: right;">
<p style="text-align: right;">Ney Motta | Centro de Teatro do Oprimido<br />
Assessoria de Comunicação</p>
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		<title>MHuD homenageia Boal com Prêmio João Canuto de Direitos Humanos</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 19:58:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ney Motta</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No dia 22 de outubro, o Movimento Humanos Direitos (MHuD), cuja presidenta é a atriz Dira Paes, concedeu o Prêmio João Canuto de Direitos Humanos à Augusto Boal  (in memorian). Na platéia, representantes do Governo Federal, representantes de movimentos sociais e artistas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">No dia 22 de outubro, o Movimento Humanos Direitos (MHuD), cuja presidenta é a atriz Dira Paes, concedeu o Prêmio João Canuto de Direitos Humanos à Augusto Boal  (in memorian). Na platéia, representantes do Governo Federal, representantes de movimentos sociais e artistas.<span id="more-815"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A homenagem aconteceu durante a 3ª Reunião Científica Trabalho Escravo e Questões Correlatas promovida pelo Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo do Núcleo de Políticas Públicas em Direitos Humanos da UFRJ, com apoio do MHuD, e a cerimônia de entrega vai acontece às 17:30h, como parte do Painel Direitos Humanos no Brasil Hoje, no Auditório Manoel Maurício, prédio CFCH, que fica na Praia Vermelha n° 250, Rio de Janeiro.</p>
<p style="text-align: justify;">O ator Eduardo Tornaghi foi o mestre de cerimônias e coube ao ator Osmar Prado a apresentação da história de Augusto Boal e a entrega da honraria para  Alessandro Conceição, que representou a equipe do Centro de Teatro do Oprimido, que em sua maioria está na Áustria para o World Forum Theatre Festival. Alessandro fez uma esplanação a respeito das atividades do Centro de Teatro do Oprimido e em seguida chamou Monique Rodrigues que apresentou o grupo popular de Teatro do Oprimido Liberarte, composto por pacientes detentos do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Heitor Carrilho, antigo Presídio Frei Caneca, que apresentou a peça teatral &#8220;Anseios por liberdade&#8221;. A peça trata da longa permanência dos internos no Hospital Penitenciário, tempo que se perpetua para muito além do determinado pela medida de segurança. Foca-se esta questão nos casos que possuem como causa a lentidão do aparato judiciário, a ineficiência do tratamento das equipes do hospital, a falta de apoio familiar e a escassez de instituições que possam acolher estes casos (como as residências terapêuticas). Após a apresentação Monique fez a curingagem, quando houve uma boa participação da platéia. Ao final todos aplaudiram de pé a participação do Centro de Teatro do Oprimido.</p>
<p style="text-align: justify;">A carta convite encaminhada pelo MHuD ao Centro de Teatro do Oprimido, está assinada por: Adair Rocha, Aroeira, Bete Mendes, Bruno Cattoni, Camila Pitanga, Carla Marins, Cássia Reis, César Guerreiro, Chico  Diaz, Clarice Niskier, Clarisse Sette, Cristiane Costa, Cristina Pereira, Daniel C. de Souza, Daniel Negri, Dedina Bernadelli, Dira Paes, Eduardo Tornaghi, Emilio Gallo, Generosa de Oliveira, Gilberto Miranda, Íris Gomes da Costa, Leonardo Vieira, Letícia Sabatella, Luciana Lopes, Luiz Fernando Lobo, Maria Zilda, Marcos Frota, Marcos Winter, Mario da Paixão Taurinho, Miriam Rezende, Osmar Prado, Otto, Pepita Rodriguez, Priscila Camargo, Ricardo Rezende, Salete Hallack, Silvia Buarque, Vic Militello, Virginia Berriel, Wagner Moura e Zezé Polessa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quem foi João Canuto?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Após várias ameaças de morte, o dirigente sindical, João Canuto, foi assassinado com 18 tiros, no dia 18 de dezembro de 1985. Ele era perseguido principalmente por sua luta pela reforma agrária. O crime foi planejado por um grupo de fazendeiros do sul do Pará, entre eles Adilson Carvalho Laranjeira, fazendeiro e prefeito de Rio Maria na ocasião do assassinato, e Vantuir Gonçalves de Paula. O inquérito foi concluído oito anos após a ocorrência do crime. A denúncia foi feita pelo Ministério Público apenas em 1996. Um ano depois, sob ameaça da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) de condenar o governo brasileiro pela demora na apuração dos fatos, o andamento do processo foi agilizado. Em 1999, o Brasil foi condenado pela Comissão Interamericana devido à lentidão na apuração do caso. Sob pressão de organizações de direitos humanos, em 2001, os dois acusados foram pronunciados como mandantes do assassinato.</p>
<p style="text-align: justify;">Vale ressaltar, entretanto, que a perseguição e violência contra os trabalhadores rurais continuam na região. Cinco anos após a morte de João Canuto, três de seus filhos, Orlando, José e Paulo, foram seqüestrados e dois deles foram assassinados. Orlando sobreviveu, mas ficou gravemente ferido. Expedito Ribeiro, sucessor de João Canuto na presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, foi assassinado em 2 de fevereiro de 1991. Um mês depois, Carlos Cabral, sucessor de Ribeiro e genro de Canuto, foi ferido num atentado a bala.</p>
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