Depoimentos

No ano 1999, eu passei vários meses no CTO. Tive a possibilidade de pesquisar sobre o Teatro do Oprimido, especialmente o Teatro Legislativo, de acompanhar grupos (as Marias do Brasil, Panela de Opressão), de investigar, de participar, de conversar, depois publiquei um livro na Alemanha – e comecei lá, junto com outras pessoas, a desenvolver uma prática de Teatro do Oprimido própria. Essa primeira visita minha ao CTO (seguiram outras mais) foi uma experiência muito intensa e muito importante. Ver o Teatro do Oprimido na prática e no contexto brasileiro, conhecer o Boal, aos curingas (que agora são amigos muito caros), aos grupos comunitários e finalmente voltar à Europa com muita energia e motivação – essa viagem foi o ponto de partida para meu caminho de trabalho com o Teatro do Oprimido. Um desses caminhos que se faz caminhando…

Minha estadia no CTO significou vivenciar simbólica e sensivelmente diversas ações com o TO. Bem de perto pude indagar a prática ao participar de oficinas de estética e de formação na metodologia, somado a oportunidade de aplicar oficinas como facilitadora com a supervisão da equipe do CTO. Pude também participar dos laboratórios e seminários internos que os curingas, junto com Augusto Boal realizavam durante minha estadia, o que me permitiu ver como utilizavam suas próprias ferramentas e assim, serem coerentes no que transmitiam e realizavam, desde a prática com o Teatro-Fórum para discutir um problema interno, ou a parte teórica e a sistematização da Estética do Oprimido. As vivências, as reflexões, os materiais compartilhados, desde a simpatia e o carisma de Augusto Boal e sua equipe; foram só algumas das muitas experiências que me modificaram e selaram o meu compromisso para levar à ação a idéia de mudar o mundo através do Teatro do Oprimido. O Grupo Teatral TrafO em Buenos Aires (Transformação através do TO) surge em 2007 e desde então desenvolve oficinas de TO em numerosas prisões federais, em organizações sociais de base e em centros comunitários, multiplicando a semente do Teatro do Oprimido nesta região do mundo. * eltrafo@gmail.com | www.trafo-trafo.blogspot.com

A participação no Intercâmbio Internacional do CTO permitiu-me essencialmente fazer duas conquistas: reforçar princípios e contatar com a organização do CTO. Desta passagem pelo Rio de Janeiro fica a vivência da possibilidade de fazer um zoom do micro para o macro, ou seja, a experiência que levava de dinamização de grupos de TO na comunidade foi fortalecida e ampliada por uma visão mais ampla e complexa da metodologia e da forma como pode ser potenciada. Foi também muito importante o cruzamento com diversas experiências de TO não só no Brasil, mas também em outros países do Mundo com culturas muito diferentes. Fica-me marcado ainda o encontro com Boal na Oficina dirigida a Multiplicadores da América Latina, o encontro com a sua genialidade, tranqüilidade, conhecimento e humildade. A sua grandeza e significado não se confinam a imagens, palavras ou sons. A sua presença serena, genuína, forte, coerente marcava o espaço. O que mais me impressionou em Boal foi a forma entusiasta com que contava cada história, com a profunda convicção de que a mudança humana é possível. A sua capacidade para explicar de forma clara e concreta reflexões profundas e complexas fazia de Boal alguém a quem se pode chamar justamente: MESTRE. Um grande bem-haja ao CTO pela inspiração, coerência, clareza e pelo apontar de caminhos. A partir das palavras musicadas de Jorge Palma, há muita estrada para andar, por isso vamos continuar… * hugoalvescruz@gmail.com www.apele.org

Parafraseio este verso do Hino Nacional da República de Moçambique para caracterizar o que o Teatro do Oprimido tem estado a conseguir, milhões de corações, juntam-se a cada sessão de Teatro Fórum, nas mais recônditas localidades moçambicanas para buscar em conjunto na harmonia e respeito que somente o teatro pode dar, respostas e alternativas às questões que o cotidiano nos coloca: como fazer para manter-se vivo e incorruptível numa sociedade em profunda gangrena? Esta força, que tem como comando central, o sentimento de responsabilidade em cada um de nós, é coordenada pela RETEC Rede Moçambicana de Teatro Comunitário que congrega pouco mais de 120 grupos de teatro de 93 distritos das 11 províncias moçambicanas. Esta rede, apóia tecnicamente e busca recursos para o funcionamento dos grupos. A RETEC funciona com assistência do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Estamos conseguindo uma grande ação popular, através do Teatro do Oprimido, são discutidas pelo povo, questões ligadas ao governo, prestação de contas, saúde, educação, água e saneamento, direitos humanos, bem como princípios culturais, enraizados e que contribuem para o crescimento da pandemia do HIV/SIDA.

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Projeto: Teatro do Oprimido de Ponto a Ponto

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